sábado, 21 de março de 2009

Introspecção

Incessantemente.

Tentar ocultar sentimentos
barbaramente sufocantes,
repugnantes,
meros dissabores gigantes.

Para quê tamanho esforço já desmedido,
insopitável suplício?

Em vão.

Enegrecida por tal escuridão persistente,
não sou já gente. Alma, sim.
Alguém que nem alguém se julga,
arrebatada de dor angustiante.

Corpo já não é corpo. Perde-se luz, cheiro, som.
Apenas alma etérea, manchada de cega incompreensão,
desprezada sem compaixão.

Apelo gritante a um final inglório
nunca aceite por quem me tomo por vezes como "eu":
Desistência.

Constante esperança
por um soprar diferente do Vento do Destino,
uma fresta discreta no tempo,
um raiar envergonhado de luz.
Entre a escassez e a solidão,
aparenta-se uma Fonte de força.

Esperançosamente livre.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Pedaço de Vida

Foi numa tarde de Domingo. O Dia de Descanso, O Dia de Acalmia. Sentei-me no meu pequeno sofá verde e pus-me a pensar. Descobri que várias perguntas enchiam o meu pensamento sem que eu me apercebesse. Eram perguntas bastante complexas, parecidas àquelas dos livros de Filosofia, das grandes reportagens do telejornal, do professor de História ou dos subtítulos dos jornais: Quem sou eu? Será que estamos a fazer os possíveis para salvar o ambiente? Será que o valor de cada barril de petróleo vai atingir um novo valor histórico? Como seria a vida na Lua? Bem, o que é certo é que, mesmo depois de pensar muito, não encontrei as respostas que procurava.
Encontrei, sim, algo um pouco diferente. Começaram a aparecer ideias, fragmentos de situações que pareciam, de certa forma, responder às questões de adultos que tanto me importunavam. Comecei por ver, ao longe, uma pessoa a aproximar-se com um ar bastante preocupado, questionando-se em que lugar estaria e porque razão. À medida que aquele ser bípede distorcido se aproximada, iam aparecendo novas cores e diferentes formas que logo depois se transformaram num jardim. Após as tulipas e os amores-perfeitos estarem bem definidos, apareceu um grupo de outras pessoas que levaram a desconhecida da minha imaginação com eles. Depressa entraram numa pequena casa onde, depois de cumprimentos calorosos, começam a cantar e a contar histórias de ontem uns aos outros.
Imergi neste mundo, entretida com os amigos da minha imaginação, a ouvir e a rir-me das histórias que eles tinham para contar.
Quando voltei ao meu sofá já tinha entardecido. Percebi que tinha encontrado as respostas às minhas perguntas. Entendi que, mais importantes que o ambiente e que o barril de petróleo, são as pessoas que se preocupam connosco, que gostam de nós e gostam de nos contar histórias de ontem. Para além disso, são elas que nos vão ajudar a perceber quem somos e que nos mostram como é viver na Lua...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Mudanças

Olhei em meu redor.

Notei que algumas coisas não estavam no seu devido lugar. Um pouco desarrumadas e cheias de pó. Decidi, então, fazer umas mudanças e limpar algumas coisas na minha vida.

Uma dessas coisas foi a minha aparência. Dei frescura aos meus fios loiros e castanhos claros. Reparei-os, depois de tanto esvoaçarem com o vento que corre quando caminho. Cuidei, também, dos espelhos da minha alma. Castanhos cor de madeira escura, perdiam o brilho quando viam coisas más, pretas, escuras e mais más que más. Mas apesar de todas essas coisas, iam procurando o se brilho, incessantemente, em pequenos gestos amigos, no sol das manhãs de Verão, no sorriso de quem os olha como quem apraz um amigo.

Para além da aparência que todos conseguem olhar, também remodelei aquela parte de mim que apenas é conhecida por parte daqueles a quem chamamos "amigos". São poucos os que trato com este nome, de estremo valor e importância, mas fico feliz por isso, pois os poucos que tenho são verdadeiramente únicos e especiais. A esses devo a minha pequenina mudança interior. Mudança essa que eles, devido à sua virtude e genuinidade, conseguirão descobrir facilmente...

Junto destas mudanças, permanece uma constante de sorriso e felicidade, de verde e liberdade, de paixão e de devoção pois, afinal,...


Eu sou assim.

terça-feira, 18 de março de 2008

Amar

Amar. Amar é gostar de alguém uma forma tão intensa que até o próprio ar que respiramos custa a entrar e sair de dentro de nós, quando não estamos com aquela pessoa. Mesmo até quando ela está isso acontece! É um sentimento tão forte, tão inexplicável, que mesmo tentando exprimi-lo por palavras, essas dificilmente transparecem o que sentimos verdadeiramente por essa pessoa. Ao olhar à nossa volta, parece que nada nos satisfaz, que nada nos deixa plenamente felizes ou bem connosco mesmos e com os outros. Razão de tudo isso? A falta dessa pessoa. Sim, a sua falta. Parece até um pouco estranho quando somos fortemente movidos por um desejo intenso de passar uns bons dias de descanso e reflexão, isolados de tudo e todos e, ao mesmo tempo, essa pessoa tem de ficar longe de nós. Mas o que é o descanso e a reflexão, afinal, se não estamos com aquela pessoa que nos faz ficar com um olhar meio aparvalhado apenas com o seu sorriso, com o seu piscar de olhos escondido, com o seu mover de lábios que revelam, num gesto, as palavras "amo-te tanto"? É um sentimento que nos impele, que nos agita o coração.
Assim, amar é sentir o inexplicável, intensamente.

terça-feira, 4 de março de 2008

Pensamentos verdes

Houve uma altura na minha vida durante a qual deixei de ter pensamentos verdes. Pura e simplesmente começaram a abandonar-me. Comecei a sentir-me estranha; já não dizia coisa com coisa, já não sorria da mesma maneira. Os meus amigos perguntavam-me constantemente se eu estava bem, se tinha algum problema. Eu bem sabia qual era:... A falta de pensamentos verdes e a predominância de pensamentos pretos, encarnados, castanhos e roxos.
Até que um dia disse para mim mesma: "Chega de cores tristes! Quero o meu verde de volta." E, após o ter chamado com muita força, voltou. Começou a surgir novamente no meu pensamento e na minha forma de estar e agir, cheio de vivacidade e alegria, tal como eu mesma :)


Mesmo que hajam períodos menos bons nas nossas vidas, nunca devemos deixar escapar esses pensamentos que, a meu ver, são as "verduras" que me dão força para sorrir e espalhar a felicidade por quem me rodeia :)


segunda-feira, 3 de março de 2008

Porquê?

Sinto-me perdida. Perdida nos braços deste mundo onde quase tudo parece errado ou abúlico.
Porque é que é assim? O que é que se anda a passar com tudo e todos?
Parece que a maioria das pessoas se esqueceu das histórias que a avó contava enquanto crianças, em frente à lareira num dia chuvoso, enquanto ela fazia renda. Também parecem estar esquecidos os sorrisos esboçados por uma carta de um amigo de longe. As gargalhadas dadas no café com os amigos da escola primária. Onde estão elas?
Onde estão os amigos que não traem a nossa confiança, que não nos enganam e nos quais podemos confiar incondicionalmente? Desses tenho muito poucos, e pergunto-me como é que há alguém que consegue viver sem eles.
Porque é que está tudo virado do avesso?
Estas foram algumas das perguntas que invadiram o meu pensamento e que teimam em ficar no meu cantinho das incertezas até encontrarem uma resposta ou algo que as justifique...
De repente, enquanto pensava nelas, surgiram algumas pessoas importantes na minha vida. Aquelas que sabemos que, aconteça o que acontecer, estarão sempre lá para nós. Aquelas que nos sorriem quando lhes damos um beijinho. Aquelas nas quais podemos confiar, sempre. Aquelas que nos contam histórias dos seus avós e pais, das quais podemos tirar lições de vida. Aquelas genuínas, que se distinguem pela sua maneira de ser e de agir para connosco...
Assim, disse a mim mesma: "Afinal não estou perdida. Com estas preciosidades comigo, é impossível perder-me."
E assim é. Agora, sinto-me feliz.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Pensamento verde


Quando me sinto verde, tudo se torna colorido e fácil.

Não há tristezas pretas,

Incertezas azuis,

Problemas castanhos

Ou maldades vermelhas.

Apenas o verde,

Alegre e vistoso,

Contagiante pela sua vivacidade,

Alegria e boa-disposição.

Assim, consigo colorir as vidas mais escuras

E os rostos mais sombrios,

Fazendo com que quem amo

Se sinta também assim,

Verde.